sábado, 18 de maio de 2024

Por onde tu andas?

Cadê o cara que gosta de um drink (era a maneira que dizíamos) tipo raiz?

Cadê aquele sexagenário que tomava BLOODY MARY, CUBA LIBRE, CAJÚ AMIGO, SAMBA, DAIQUIRI, DRY MARTINI, GIN TÔNICA, MANHATTAN, COSMOPOLITAN, PIÑA COLADA, MARGUERITA, MOJITO, OLD FASHIONED, NEGRONI, ???


Hoje o drink mais difundido é a nossa brasileiríssima CAIPIRINHA. Com vários sotaques, CAIPIROSCA, por exemplo. Mistura-se vodka, saquê, aguardente premium…mas a nossa famosa “pinga”, tem concorrentes mais famosos e estrangeiros, que invadiram o nosso território. WHISKEY, BOURBON, RUM, GIN, VODKA, VERMOUTH, TEQUILA, PISCO, BAGACEIRA, GRAPPA, CONGNAG, SAQUÊ, BITTER, FERNET, VINHO DO PORTO, ESPUMANTES…


Será que o coquetel matou o drink? “– Um drinque é apenas uma bebida, enquanto um coquetel é uma mistura de vários ingredientes”, segundo um conhecido especialista de bebidas. E tem também as adequações que a indústria lançou como as bebidas prontas em latinhas como versões ICE, BEATS, e outras variedades de sabores e combinações, além das misturas de energéticos com as bebidas de alto teor. 

O que se pensava em popularizar o acesso, tornou-se uma vulgarização, pois o drink carece de ambientação, clima próprio para o consumo, e não apenas o embalo momentâneo.


A coquetelaria está em alta. Cada vez mais temos interessados no talento de alguns mixologistas e/ou barmens para saborear os drinks, apesar do grande número de novas receitas de coquetéis criadas, são os drinks clássicos os favoritos de muitos e que nunca saem de cartaz. 


Você que é um fruto das gerações pós Babyboomer, X, Y ou Millennials, deve conhecer alguns coquetéis ou drinques antigos, mas um, você que tem 20/30 anos com certeza não faz ideia. Para os aficionados e doentes por conexões imediatas, que procuram Wi-Fi em qualquer lugar, nem fazem ideia de um xará na modalidade bebidas exóticas de antigamente. A hi-fi é uma bebida alcoólica, é um coquetel feito de vodka, refrigerante ou suco de laranja e bastante gelo. O nome é inspirado no nome do programa "Crush em Hi-Fi", exibido no Brasil no início dos anos 60. "Crush" é o nome de um antigo refrigerante de laranja, como a Fanta e/ou Sukita nos dias atuais.


Todavia essas bebidas embalaram muitos bailes, muitas festinhas, baladas na praia, raves, formaturas, festas de arrombas, festas em lajes, enfim animaram os moleques e as gurias, que hoje, se não, estão usando bengalas, muletas, vivem de boas recordações e olham nas fotos manchadas de ocre ou desbotadas, mas que ainda valem o prazer dos tempos intensamente vividos. Afinal, somos todos “jovens” acima dos 18 anos, liberados para beber, eternamente. Enquanto isso eu seguirei com o meu preferido, a minha escolha antiga, BLODDY MARY, deliciosamente vermelha, temperada e gelada. Que em 1921, em Paris, teria sido criado por sugestão de Ernest Hemingway, escritor norte-americano. Assim teria surgido a clássica receita com sal, pimenta, tabasco, limão, vodka, suco de tomate e molho inglês. Segundo, Ernest, era para a namorada de nome Mary, não sentir o hálito com álcool. Espertinho, hem?


Para finalizar, só um detalhe. Sou uma pessoa rodada nessa vida, beiro os 73 anos, que completarei no próximo mês de junho. Filho, sobrinho, neto, sobrinho, vizinho, amigo, conhecido de vários bebedores de drinks, coquetéis, biritas, shots, etc. 

Já convivi, vivi, presenciei, frequentei bares, botecos, restaurantes de classe, casas de bebidas, enfim de todos os níveis, sociais e preços, tanto aqui no Brasil como em outras partes do mundo. Mas nunca vi um drink que alguns amigos meus de trabalho, que nas sextas-feiras nos “happyhour”, pós um semana árdua, como por exemplo um de nome Fernando, chegava no balcão e lascava: “– Manda um bombeirinho”. Um drink estritamente nacional dos anos ‘80. “Pinga, groselha e gelo”. Finalizando mesmo, quase me esqueci de outro drink, desta vez, do amigo Ney. A famosa “Maria Mole”, conhaque com vermute. É mole?